sexta-feira, agosto 12, 2005

A noção de publicidade enganosa. Formas razoáveis de confronto, despiste e não aderência ao engodo.


Verdades e mentiras acerca deste anúncio:
1. É verdade que o rapaz Brian tem uma capacidade limitada. A disfunção erectíl é, no entanto, uma situação clinica ou mecanicamente tratável e, mesmo que não o seja, não deve servir de pretexto velado para empobrecer o alheio ao ponto de lhe deixar unicamente a pixota para satisfação única de uma multiplicidade de tensões. Este princípio anti-ético, geralmente cultivado em analíticos e outros pingarelhos racionalmente imberbes, é conhecido por "só te deixo com aquilo que não tenho" (no caso em apreço, a razão).
2. É verdade que vão estar no "acontecimento" (à falta de melhor expressão) muitos corpos. Daí não se deduz, automaticamente e com prejuízo potencialmente insanável para a reputação dos convivas, que só esteja presente uma alma. Dezenas de anencéfalos não ofuscam necessariamente dois ou três cérebros que possam lá andar a pastar o ócio ou a ironia. Se fosse de graça, até eu ia, porque em encontros deste género há sempre mais tipas a mostrar as mamas do que em qualquer neo-Woodstock.
3. Não é verdade que haja uma cura para a estupidez. O máximo que temos por ora são paliativos com grau de sucesso variado. É verdade que um tratamento profiláctico - e aqui entram as vidas futuras - pode prevenir surtos massivos de comportamentos idiotas. Basta para isso que o atendente a esta comunhão preciosa de "muito pouco sobre nada" conte a história, ternamente (na noite de consoada, por exemplo), de como foi enrabado numa quantia considerável de massa para que os filhos, engasgados na sopa e na estupefação, prestem mais cuidados ao desenvolvimento das gerações vindouras (especialmente as suas). O princípio de prevenir a idiotice futura mediante o reconhecimento da estupidez que existe no presente pode ser aplicado a quase tudo e deve ser fortemente encorajado.