Lusitânia Expresso

É verdade. À febre do Euromilhões não escapa ninguém. Como o prémio faz disparar sinetas de alarme em qualquer cabecinha cujo extracto bancário nunca ultrapasse os cinco dígitos - e que sorte, cinco dígitos sem contar com os decimais... - dizem por aí que lhes calhava muito bem a guita, desde que repartida pelo acaso com mais duas ou três criaturas, para que a loucura não tomasse posse de um premiado único. Isso é coisa de quem tem tempo a mais e imaginação a menos. Eu queria-o todo só para mim. E até anuncio dez medidas que tomaria assim que tivesse o cheque na mão.
- Acabar com a fome, a pobreza e essas merdas que entristecem a malta.
- Desflorestar metade de Portugal e cobrar uma taxa incendiênria simbólica a quem quisesse acabar com a outra metade. Importar, posteriormente e com exclusivade, arvóres de jeito com tratamento anti-fogo e vende-las a preços moderadamente inflacionados a Associações de Amigos do Verde e outros acéfalos da mesma estirpe.
- Obrigar o Governo a pagar-me um Subsídio Perpétuo de Permanência em Portugal. Obrigá-los a isentar-me do pagamento de impostos, seguro automóvel e despesas correntes.
- Financiar o projecto científico-sociológico "Desaparece estúpido", concretizado com mão-de-obra coreana, tecnologia japonesa e chefias alemãs. Aplicá-lo em primeira mão e a título experimental em americanos.
- Ser galardoado com a Ordem do Infante Dom Henrique e, enquanto me finjo nervoso-distraído, salpicar o meu agradecimento para cima do Presidente na forma de uns gafanhotos sobrealimentados. Aproveitar a onda e dar-lhe umas caneladas nas feridas de guerra que não tem.
- Nomear o Alberto João Jardim o meu acessor de impressa, arrancar a Madeira do seu sustentáculo terrestre e dotá-la de motores. Jardim seria feito Comandante-Mor da ilha - com direito a chapéu, leme e gps - e todas as perguntas que me fossem feitas seriam respondidas por ele, em videoconferência.
- Comprar a TVI e substituir a grelha de programação por uma emissão contínua dos melhores combates do Bento Algarvio. Nos intervalos - absolutamente desprovidos de publicidade - ele aparecia a repetir a sua frase emblemática: "Vou encher a marmita ao Russo!"
- Fazer uma quarta ponte sobre o Tejo para usufruto próprio.
- Dar aos portugueses em geral aquilo que eles merecem e a outros em particular o dobro do que merecem (inclui ex-namoradas, políticos, críticos de arte, advogados, pedófilos, etc.)
- Comprar o Google e desindexar tudo o que não fosse pornográfico. A informação é muito boa, mas mamas são mamas.

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