terça-feira, agosto 09, 2005

Platão revisitado - porque é que Carrilho vai, inevitavelmente, falhar o alvo.

Nada de novo consta desta notícia. Se pensarmos que Carrilho é uma espécie de lado B de Santana Lopes, percebemos imediatamente duas coisas: tanto um como o outro fazem da política uma espécie de extensão intensificadora do vedetismo social e tanto um como o outro têm mais jogo de cintura do que capacidade governativa.
O facto de Carrilho apoiar uma hipotética candidatura de Alegre em detrimento de uma menos hipotética candidatura de Soares tem uma explicação que não passa nem pelo amor comum às letras que, aparentemente, Carrilho e Alegre partilham, nem por uma espécie de reconhecimento político ao esforço de Alegre na defesa dos ideias democráticos e socialistas, pouco traduzida em cargos politicamente relevantes.
Carrilho apoia Alegre contra Soares porque sabe que, por um lado, a sua composição mediática enquanto figura de relevo depende inteiramente da comparação com outras figuras de relevo mediático (e Soares, mesmo velhinho, tem uma aura que ofusca quase todos os restantes políticos) e, desde logo, partilhar a câmara de Lisboa com Soares enquanto presidente ferir-lhe-ia a possibilidade de exposição e, por outra parte, apoiar Alegre representa, dentro dos círculos da velha guarda socialista, uma espécie de atestado da antiguidade como posto e um reconhecimento dos deveres para com aqueles que tanto serviram o partido, sem pouco ou nada - exceptuando uma vida financeiramente desafogada - receberem em retorno. A estratégia de "lapa conveniente" tem uma eficácia a toda à prova. Se Soares ganhar, Carrilho não perde nada, a não ser aquilo que tinha antecipado perder. Se Soares perder, ganha, ainda por cima, o valor inestimável da opinião certa.
O factor X na estratégia de Carrilho e que vai, inevitavelmente, pôr-lhe fim aos delírios umbilicais é relativamente simples: Carrilho não vai ganhar a câmara de Lisboa. Carrilho é um intelectual pós-moderno num país que não gosta de intelectuais e que não sabe o que é o pós-modernismo. Mesmo que se esforce de morte para ser simpático com a varina do bairro ou com o empregado da Carris, Carrilho não consegue descer do alto do nojo que tem da plebe. E isso é indisfarçável. Ainda que "a malta" consinta que ele fale, que ele se insurja contra isto ou aqueloutro ou que ele monte ou não monte a Bárbara, a verdade é que a mesma malta não quer vê-lo no poder; pelo contrário. A malta que Carrilho despreza no cume solitário da sua pós-modernidade moribunda é tão esperta que optou por aproximá-lo o mais possível do poder para rir o mais sonoramente quando dele Carrilho se afastar. Para infelicidade dos alunos de filosofia, será para junto deles. Não mais inteligente, não mais capaz, mas muito mais azedo.

5 Comments:

At 16:29, Blogger Helder Mendes said...

Uma adenda: para infelicidade dos alunos de Filosofia da FCSH! Os outros estar-se-ão a cagar e, na volta, ainda darão belas risadas. Eu darei! :)

 
At 18:29, Anonymous Anónimo said...

Acrescentaria que a infelicidade diz respeito apenas aos ACTUAIS alunos de Filosofia da FCSH. Pessoalmente, já estou safo do contágio deste pedantismo armado-ao-pingarelho.

Só mesmo do Sr. Pedro Rolo Duarte e de mais meia dúzia de lâmpadas de 100 watts o heroísmo de apelidar de "filósofo" o Carrilho... Deve ser esta a principal característica do "nosso" pós-modernismo...

 
At 09:00, Anonymous Anónimo said...

Queres mesmo discutir isto?
Em geral, uma Bárbara Guimarães maternal perde encanto na pívia lisboeta média.
Porque julgas tu que a Elsa Raposo aparece agora como RP monárquica? Resposta: Apesar de constar que já pariu mais de um par de vezes, nunca ninguém viu.

 
At 11:41, Blogger radioapilhas said...

Gajas que os portugueses gostariam de montar, por ordem descendente:
1. Isabel Figueira
2. Pimpinha Jardim
3. Merche Romeiro
4. Marisa Cruz (pré-Pinto e subsequente enfartamento pré-natal)
5. Carla Matadinho
(...)
187. Bárbara Guimarães.

Baralha os cinco primeiros e acrescenta mais cinco. I rest my case.

 
At 13:43, Anonymous Anónimo said...

Recorrendo à analogia do nosso estereofónico amigo, se as urnas não derem ao Carrilho o "tratamento", o tempo encarregar-se-á de o fazer - um "dejá-vu" do Santana.

 

Enviar um comentário

<< Home