quinta-feira, novembro 17, 2005

Pobretes mas Alegretes!

Manuel Alegre. De todos os cantos surgem indefectíveis apoiantes à candidatura de Manuel Alegre à presidência disto. O Pacman dos Da Weasel, o Pedro Abrunhosa, o Jorge Costa e todo um séquito de mini-trampolins mediáticos dispostos a empurrar Alegre para Belém.
Confesso alguma curiosidade em perceber o fenómeno Alegre. Ao contrário de muitos ignaros que elogiam a sua escrita num desconhecimento absoluto da obra, já li o suficiente de Alegre para ter a certeza que a espuma dos dias não lhe granjeará a imortalidade provisória que qualquer artista almeja. Pelo contrário. É um versejador com algum engenho, mas absolutamente insuficiente para conseguir arrancar do fundo da vida algum elemento digno de ser partilhado. Numa metáfora piscatória, diria que pesca, sim senhor, mas só tainhas.
Quanto à sua actividade nos últimos trinta anos, perdi algum tempo no site do próprio a tentar perceber o que o senhor faz pela vida:
"Entra no Partido Socialista onde, ao lado de Mário Soares, promove as grandes mobilizações populares que permitem a consolidação da democracia e a aprovação da Constituição de 1976, de cujo preâmbulo é redactor. Deputado por Coimbra em todas as eleições desde 1975 até 2002 e por Lisboa a partir de 2002, participa esporadicamente no I Governo Constitucional de Mário Soares. Dirigente histórico do PS desde 1974, é Vice-Presidente da Assembleia da República desde 1995 e é membro do Conselho de Estado (de 1996 e 2002 e de novo em 2005). É candidato a Secretário-geral do PS em 2004, naquele que foi o mais participado Congresso partidário de sempre."
A minha curiosidade está satisfeita. O senhor Manuel Alegre é um dos inúmeros conquistadores de dívidas eternas de gratidão, à boa moda portuguesa. Explico-me. Nesta terreola insalubre e mal frequentada, a quantidade de sucesso que se obtém, a nível pontual, é directamente proporcional à quantidade de tempo que se pode passar de pernas em cima da secretária - qualquer uma delas - a coçar o perímetro do umbigo, ou outros órgãos fronteiriços, sem fazer nada que mereça a pena ser contado sem incorrer numa vergonha muda pela inanidade própria. É assim desde que me lembro. Com artistas, intelectuais, políticos, etc. Uma vez no pódio, mesmo que em terceiro lugar, nunca mais permitem à memória colectiva o saudável e merecido esquecimento. E continuam a lembrar o favor que prestaram e a cobrar altíssimos juros de mora. Tudo dentro da aceitação geral e óbvio consentimento colectivo.
Este senhor, que de 1976 até hoje publicou livritos de enternecer velhas e se sentou confortavelmente num assento da assembleia, pede o meu voto, o voto dos portugueses, para se poder mudar de São Bento para Belém e, num acesso de estética incontrolado, talvez mudar a cor das janelas ou a disposição da secretária - qualquer uma das duas.

1 Comments:

At 10:11, Anonymous Anónimo said...

Não esqueçamos que a Presidência da República é a mais alta secretária da Nação. Coçar o umbigo na Presidência não tem nada a ver com fazer o mesmo na Assembleia.

O mérito de um homem julga-se pelo tamanho e material da secretária sobre a qual poisa os pés e se coça. Metro e meio de mogno, trabalhada e ladeada pelas bandeiras da Nação e da União deve ser o sonho de qualquer umbigo.

Confesso que acho que a imagem mais risível seria a do Louçã a coçar o umbigo neste cenário; mas o Soares a coçar, com a J.A. Dias ao colo também não está mal...

 

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