A Guiné em Portugal

Há várias coisas que impedem - ou deviam impedir - o regresso de Fátima Felgueiras a Portugal. Uma delas prende-se com o cumprimento de uma das mais elementares regras do bom-gosto. NINGUÉM, i.e., pessoa alguma, devia poder candidatar-se a qualquer cargo com o qual partilhasse igualdade onomástica. Não queremos uma Fátima Felgueiras em Felgueiras, um João Caracavelinhos em Carcavelinhos, uma Manuela Alcabideche em Alcabideche. Portugal é um país perigoso no que toca a adopção rápida de modismos ridículos. Legisle-se e previna-se reincidências.
Luso-brasileiros podem ser dentistas, jogadores da bola, empregados de mesa e até gestores de companhias aéreas. Não podem, nem deviam nunca poder, tomar conta dos destinos de uma autarquia. Se a genética tem a mínima hipótese de possuir alguma fundamentação científica, um olhar de soslaio para terras de Vera Cruz sossobra para percebermos que aquilo a que chamamos commumente corrupção aqui é, para eles, matéria de apenas uma disciplina elementar de qualquer coisa a que eles chamam "vestibular" - que tem nome de tudo menos de grau escolar ou académico ou o diabo a quatro. Legisle-se e promulgue-se em Diário da República, acabou-se a festa.
Fátima Felgueiras, na minha modesta opinião de mero espectador desinteressado - e quem pode nutrir interesse por Felgueiras se não os felgueirenses (e mesmo assim)? - devia, assim que assentasse coto em terras lusas, ser atirada ao chão violentamente por seis dos funcionários mais pesados do SEF, manietada com arame farpado - não fosse o caso de lhe passarem (mais) ideias fugitivas pela cabeça -, esbofeteada até dizer-se portuguesa ou brasileira - porque de esquizofrenias patrióticas já levámos quanto bastasse - e o seu destino decidido consoante a resposta apresentada: dizendo-se brasileira seria recambiada - imediatamente após saciada corporalmente (no dela) a sede de vingança e depois de um pedido de desculpas ao embaixador brasileiro em Portugal, dizendo que a tínhamos confundido com uma terrorista (pega, já se viu que pega) -; caso se afirmasse portuguesa, comporíamos um alegre cortejo com que se procissaria de Lisboa até Felgueiras, acompanhado de camionetas ligeiras que emitissem non-stop os primeiros álbuns de Roberto Leal, distribuíssem fruta à discrição para uma buchazita ou um treino ligeiro de tiro-à-figura-feminina-dentro-do-descapotável e dessem guarida aos marchantes quando se passasse por um incêndio florestal. Qualquer hipótese aligeirada do supracitado náo se constitui como alternativa e é coisa de abichanados.

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