terça-feira, junho 27, 2006

Prémio Nabokov 2006

Quem não conhece o HI5 não sabe o que perde. É uma das mais vastas amostragens da estupidez humana e o playgarden preferido das lolitas com aspirações de aparecerem na penthouse, na playboy ou simplesmente na minha cabeça, às quatro de uma qualquer tarde sonolenta. Esta menina leva o Premio Nabokov - que duas primeiras sílabas tão apropriadas... - 2006.



segunda-feira, junho 26, 2006

Há gajos que têm que andar sempre com ela à mostra...


Menos vodka, mais futebol.

sexta-feira, junho 23, 2006

Os velhos são chatos - I

Um gajo vai à Caixa Geral de Depósitos - porque ainda não inventaram um sistema de homebanking que desse para depositar cheques, acendo uma velinha todos os dias a pensar nisso - tem dez minutos para ressuscitar uma conta à ordem que passou do estado comatoso para o clinicamente morto já há dias, o ajudante do secretário do sub-gerente já fez a amabilidade de telefonar - manso e meloso e, ainda assim, em tom de ultimato - a dizer que o banco admite uma falha ocasional a um bom cliente (quem? eu?) mas que o assunto em breve sairá das mãos dele - passará para o secretário do sub-gerente and so on até os telefonemas serem substituídos por ordens judiciais - e diz-me que eu não quero isso, eu que estou simplesmente no intervalo cíclico entre a pobreza e o saldo-anão, a pensar que não me posso atrasar, aqueles dez minutos estão no meio de três pataniscas mal digeridas e de uma tarde inteira a varrer o teclado com a ponta dos dedos e, quando chego finalmente à única máquina de todo o banco que permite depositar cheques - os balcões da Caixa têm uma regra provavelmente secreta que impede que mais de duas pessoas trabalhem ao mesmo tempo, para que as filas não diminuam e dêem a impressão de que o sítio é popular e que se passa lá um bom bocado... - estão lá duas velhotas, com três cadernetas cada uma (a pior invenção da história da banca!) à tentar perceber qual o botão para actualizá-las, quando há máquinas específicas para o efeito, onde não é preciso carregar em nada e em que quase se dispensa a capacidade de ler português (essas máquinas, obviamente, estão desertas, porque os velhos querem utilizar aquelas que os outros utilizam - um pouco como as crianças que querem sempre brincar com aquilo que o outro tem na mão - salvo seja). Passam-se os dez minutos, os vinte minutos que não tenho e quatro cadernetas. Perco a paciência, azeda-se-me a patanisca que não tem meio de seguir o curso normal do tracto digestivo e pergunto à velha - manso, meloso, mas determinado - porque é que ela não usa as máquinas especialmente destinadas ao efeito de actualizar a caderneta e a velha, entre o lambe-dedo-vira-a-pagina e o Parkinson de tremelicos à procura da ranhura certa, desmaia-se-me, lívida de um susto não premeditado e enquanto eu faço os possíveis para evitar que ela perca mais faculdades num embate craniano no chão ou na máquina, os outros velhos despertam da letargia da espera, acercam-se de mim num voluntarismo inédito e só consigo sair do banco depois de revistas as gravações do acontecimento na companhia de três polícias e de um surdo-mudo com destreza para ler os lábios. À saída, uma das velhas, num surto de energia imprevisto, escarra-me para cima e eu vou a correr para o trabalho, supipamente atrasado, a pensar se tenho a vacina da tuberculose em dia.

É assim que eu gosto do putedo: honesto (dedicado a R."J". L)


Este é o meu coirão favorito. Não diz que é virgem, não estuda a cabala, não aventa por aí que a coisa mais bonita do mundo são as criancinhas. O seu single de sucesso do momento chama-se Hips don't lie. E as dela, pelo que já vi, não mentem mesmo.

quarta-feira, junho 21, 2006

Tipos que dão luta | Vol. II | Bill Hicks




Para quem não sabe, Bill Hicks foi um comediante. Um stand-up comediant, para ser mais preciso, usando da fina terminologia anglo-saxónica cuja equivalência em português está ainda para ser grafada.
Ora o que tem o Bill Hicks que eu não tenho, perguntará o Marco Horácio e outras criaturas de igual ascensão mediática e inversa proporcionalidade de talento humorístico? Consigo mencionar algumas dissemelhanças de monta: Bill Hicks morreu em 1994 - cedo demais - e a corja de farsantes do riso da qual fazes parte, caro Marco, está bem viva - outra inevitabilidade mórbida - e a devorar intervalos televisivos numa voracidade de alcateia; Bill Hicks tinha génio, Marco, e, ao contrário do que possas pensar - se essa faculdade te foi granjeada pelo Criador, ainda que em doses muito modestas -, o génio não é uma qualidade secundária facilmente maquilhada pelo trabalho árduo da ubiquidade mediática. Para finalizar, Bill Hicks era considerado por John Cleese - sim, o dos Monty Python, Fonte da Eterna Gargalhada - um dos grandes génios cómicos do Séc. XX. Quando o mesmo Cleese te conseguir reconhecer no meio de um jantar de turma de um grupo de estudantes do Técnico, podemos então falar tu-cá-tu-lá. Como diria o próprio Hicks, case fucking closed.

Enquanto que, na maior parte das ocasiões, a comédia está a associada a uma espécie de entretém com o propósito de esvaziar a panela de pressão do quotidiano - e por isso recorre ao próprio quotidiano como tecido de fabricação da anedota: distorce-o, enfoca-o através de um prima psicoterapêutico em que o terrível aparece ridicularizado e o medo desprovido de qualquer sentido excepto o do cómico -, em Bill Hicks nada disso transparece. Não há nele a personalidade do entertainer, do terapeuta social, do enche-chouriços das horas mortas. Pelo contrário. É mordaz, é irónico, mas incomoda. É um tipo perfeito em palco e absolutamente indesejável para ser apresentado à família. É frio. Trata de todos os assuntos sobre os quais discorre pelo ângulo de um médico legista enraivecido. Está deprimido. Está zangado com o mundo, está em processo de descontrução do óbvio. É um filosófo, no sentido em que esmiuça as coisas e as regras das coisas fora do seu âmbito puramente pragmático. Essa raiva da inadequação ao mundo, essa espécie de corda-bamba ontológica perpétua torna-o especial. Ao invés de temperar a ferida filósofica no bourbon ou no malte, na senda da melhor tradição do inadequado contemporâneo (as variações do personagem incluem naturalmente o drogado e o desempregado perpétuo) Bill Hicks mantém um controlo mais ou menos bem conseguido - a vida dele fora dos palcos não era exactamente o paradigma da estabilidade afectiva - de duas disposições fundamentais, que são os pontos arquimédicos do seu humor caústico: a raiva e a perplexidade por estar a travar a one man battle. A raiva surge como consequência directa do reconhecimento de que algo está errado somada à incapacidade de precisar o quê e como alterá-lo (uma espécie de nevoeiro de mentira em baixo-registo contínuo). De quando em vez surge um foco mais preciso, um objecto ou uma situação dominados pelo olhar do humorista; assim, de igual modo, surge o sketch, a piada, a anedota. O corolário da raiva é a perplexidade, que se gera na partilha dos momentos de lucidez ou de desvelamento de parte da "Grande Mentira". Bill Hicks (ou qualquer um que julgue a importância de algo na inversa proporcionalidade dos seus semelhantes) não compreende como o caudal de factos da vida que serpentea nas suas actuações (que lhe servem de veículo) não provoca na assistência a mesma ira que o consome (e vice-versa). Todo o seu humor está construido na premissa maior de que há algo de importante a revelar, algo que pode mudar o curso da vida de outrem, algo que não deve ser ocultado em proveito próprio. Ele está a contar a piada que é esta vida, este mundo, estes costumes. He means it. Especialmente se fizer rir. Dir-se-ia, se fôssemos académicos e adeptos das analogias rápidas, que o homem está constantemente numa fase pré-fenomenológica. Vê o problema. Não vê o que lhe subjaz, nem como ele se articula com os outros.
Bill Hicks morre em 1994, na sequência de um cancro no pâncreas. No seu último espectáculo, repete diversas vezes para a plateia o facto de aquele ser o último espectáculo que dá. Diz que foi contratado pela CBS, portanto desistiu dos live shows. Passaria a fazer unicamente programas semanais de meia hora (uma justificação obviamente falsa, mas é também óbvio que é para ele está a falar consigo próprio quando menciona o último espectáculo). A meio do mesmo, vira-se para a plateia e diz: "Há algo de muito importante e sério que quero partilhar com vocês" (o facto de estar a morrer enquadra-se nessa caracterização). "Algum dos senhores na audiência vê todos os dias o programa C.O.P.S.?"
As coisas demasiado importantes não podem ser levadas a sério.

segunda-feira, junho 19, 2006

Prémio PPA - Post Patético do Ano

Publicitário razoável - se o público-alvo é a corja de imbecis por desmamar do Secundário -, não-poeta e sério nut-case-study. Este rapazote é o futuro Zé Maria da produção literária nacional e escreve qualquer coisa como isto, no seu blog:

"E é já na próxima Sexta-feira, dia 16 pelas 21 horas, que será lançado, na Fnac do Cascais Shopping, o livro “NADA em 53 vezes”!
Adivinho-te a olhar para o parágrafo anterior, e sentir uma inquietude percorrer-te cada centímetro do corpo, impelindo-te a estar presente neste lançamento. Por que não o fazes?
Ao estares presente nesta inesquecível noite de Sexta-feira, estás a contribuir para uma grande causa: A minha. E a garantir que este livro te vai chegar às mãos (ou aos pés se assim preferires) devidamente autografado.
Interessante, não é? Então por que não apareces?

Mas se não puderes realizar esse ardente desejo de estar presente, podes encontrar este livro nas lojas Fnac de todo o país, e se por algum motivo não o encontrares, ou simplesmente preferires um exemplar personalizado, experimenta enviar-me um mail!

É que longe vão os tempos em que bastava um Rolex e uma Secretaria de Estado para se poder ombrear com a Mimi, o Tópê, e restante elenco dos Morangos com Açúcar. Hoje, a ascensão é difícil e morosa. O último passo, esse, só está ao alcance de um reduzido lote eleitos: Ler o “NADA em 53 vezes”.

Ousa."

Admitem-se candidatos para mail bombing e terrorismo psicológico.


terça-feira, junho 06, 2006

O dia da Besta

Toda a gente que tem um blog e que sofre de desinspiração crónica ou de míngua imaginativa tem hoje a sua tarefa facilitada. Dado que é dia 6/6/06 não faltarão, internet fora, referências ao dia da besta. Sendo que bestas somos todos nós por vivermos neste país de atraso e puericultura de espírito, este é o nosso dia. A coisa não pode ficar pior. E se pode, é só quantitativamente. Como dizia um Professor que tenho em muito apreço "a diferença entre isto e o inferno é de alguns graus centígrados".

segunda-feira, junho 05, 2006

O que é bom sabe-se depressa...

...mas e o que é mau? Na coluna da direita vou actualizando uma lista dos piores blogues que encontro (o que não quer dizer que sejam de evitar...)

sábado, junho 03, 2006

Expressões a serem extintas num futuro (que se quer) breve - Vol. I (A Bola)

É sabido que o futebol é uma fonte inesgotável de pérolas sintático-gramaticais, para gáudio de todos aqueles afectados pela doença de ser português (cujo primeiro sintoma visível é repetir, de cada vez que se faz merda, "toda a gente faz assim!") que vêem assim justificados os coices sintáticos e as corruptelas de quarta-classante.
Ainda assim, e porque até as asneiras estão sujeitas ao modismo dos tempos, há uma - que ultimamente grassa como lepra na Índia - repetidamente repetida (vêem como é irritante?!) a deixar-me perplexo de cada vez que a ouço (uma sensação semelhante à de ouvir uma anedota de adulto quando se é criança, com a infeliz agravante de se saber que o sentido não se vai tornar claro por efeito diacrónico).
Quando uma das equipas em campo, timidamente lançada na luta pelo empate (a expressão correcta e contemporânea é "estacionaram o autocarro à frente da baliza", inventada e difundida por Mister Mourinho e correntemente a sofrer mais mutações que o influenza - já há quem diga "este autocarro tem dois andares!" ou "estes trouxeram dois autocarros" ou ainda uma versão mais arrojada "Estes senhores vieram de comboio e pararam à frente da baliza". A imaginação é, infelizmente, um dispositivo ilimitado). Onde estavámos? Sim. Num jogo em que duas equipas estão empatadas, no esforço titânico da fuga à despromoção (Portugal é o único país onde se joga para não se perder) e uma delas marca e obriga o treinador da equipa adversária, investido de uma coragem desesperada e demoníaca, a tirar dois dos sete defesas e a meter dois atacantes, diz-se dele (do treinador), na gíria futebolística: "Meteu a carne toda no assador".
É este o nosso país de poetas, de artífices e conjuradores de metáforas. É com isto que um gajo tem que se haver se quiser ver - e ouvir - um jogo de bola, uma coisa aparentemente descomplexada, masculina e relaxante, normalmente acompanhada de tremoços e cerveja. Não há português que não tenha em si um poeta cretino e um revolucionário sem causa.

sexta-feira, junho 02, 2006

Competências desadquiridas.

Há três meses atrás poderia afirmar peremptoriamente que existiam duas instituições que funcionavam bem em Portugal, ao nível das equivalentes estrangeiras ou mesmo de forma superior: os CTT e a PJ. Relativamente à PJ, o governo já se encarregou de não aparecerem mais deputados, donos da bola e afins na barra dos tribunais (é mais fácil eliminar a investigação do que o julgamento). Relativamente aos correios, estou perplexo. Cada encomenda que enviava chegava prontamente ao destino sem que necessitasse de me preocupar. Agora tenho de verificar periodicamente o paradeiro de qualquer coiseca que remeta. Parece-me que os carteiros foram atingidos por uma espécie de amnésia slectiva e aleatória: não entregam algumas coisas e esquecem-se de algumas moradas... A gravidade é tramada: em vez dos melhores puxarem para cima os piores, o peso destes últimos acaba invariavelmente por afundar os primeiros. Pelo menos o País está, finalmente, harmonizado.