Depois das cinzas... outro cigarro
Não sei, sinceramente, o que me leva a escrever um blogue. Talvez subsista em mim um secreto desejo de admiração que se manifesta à revelia do cinismo misantropo. Talvez isto que para aqui vai seja o subproduto episódico e fragmentado de um tédio incurável. Em todo o caso, deve haver uma razão, porque razões as há para tudo e até para aquilo que as dispensa.
E ainda que consiga admitir que sim a tudo isto, ainda que assuma de peito elevado a minha dependência intersubjectiva e grite
baixinho
um silvo de grito minúsculo arrancado como um tumor imberbe
que sim, que sou isto, pequeno, insatisfeito, permanentemente a ciganar a minha presença na vista alheia, à procura de uma estaca, de uma âncora, de um resto de carinho que sirva de lastro, ainda que eu seja isso tudo e menos que isso é, porquê revelá-lo? Porquê atirar a areia da existência de mim a qualquer pupila internaútica que por aqui paste ocasionalmente, por distração ou por tédio?
Aqui reside a dificuldade: ser-se o funcionário permanente de si-próprio sem se despedir.
E ainda que consiga admitir que sim a tudo isto, ainda que assuma de peito elevado a minha dependência intersubjectiva e grite
baixinho
um silvo de grito minúsculo arrancado como um tumor imberbe
que sim, que sou isto, pequeno, insatisfeito, permanentemente a ciganar a minha presença na vista alheia, à procura de uma estaca, de uma âncora, de um resto de carinho que sirva de lastro, ainda que eu seja isso tudo e menos que isso é, porquê revelá-lo? Porquê atirar a areia da existência de mim a qualquer pupila internaútica que por aqui paste ocasionalmente, por distração ou por tédio?
Aqui reside a dificuldade: ser-se o funcionário permanente de si-próprio sem se despedir.

1 Comments:
Depois de ter absorvido os outros textos, não resesti a comentar este: ora aqui se encontra um pequeno exemplo do que te um dia proximo te pedi. Continuarei atento.
bruno
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